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Programa Terra Limpa

Programa de reciclagem de embalagens de agrotóxicos quer acabar com intoxicações de agricultores no interior do Paraná

Novembro/1999

Edição 05

 
O Paraná é responsável por 23% da produção nacional de grãos - a próxima safra vai chegar perto de 20 milhões de toneladas - e utiliza por ano 2 mil toneladas de agrotóxicos, o que deixa um rastro de 14 milhões de embalagens nas lavouras. Até agora, essas embalagens não tinham destino certo, representando um risco sério para o meio ambiente e a saúde do agricultor.

Agricultura mecanizada consome altas
quantidades de agrotóxico

Se for usado de forma incorreta pelo produtor ou trabalhador rural, ou se tiver sua embalagem reaproveitada para armazenar água ou comida, os agrotóxicos causam efeitos perigosos no organismo. No ano passado, foram atendidas 571 pessoas com intoxicação por agrotóxicos em hospitais de todo o estado.



Em 1994 foram registrados 918 casos de intoxicação;
em 1998 este número caiu para 571 casos



A contaminação acontece quando o veneno é inalado ou entra em contato com a pele. A maioria dos acidentes que acontecem com crianças são por ingestão de água ou alimento colocado dentro das embalagens.

Unidade Regional de Recebimento e Triagem,
em Cascavel - PR

Os principais sintomas da intoxicação são problemas digestivos, como vômitos, cólicas e diarréias, acompanhados de suor excessivo. Quando a intoxicação é mais grave podem ocorrer aumento da pressão arterial, dificuldades respiratórias e problemas neurológicos, como confusão mental e convulsões, que podem levar ao coma e até à morte.
Desde 1994, quando foram registrados 918 casos de intoxicação por agrotóxico, até o ano passado, com 571 casos, o Paraná vem reduzindo o número de intoxicações, porém o índice ainda é alarmante.
Mas essa realidade está mudando. O Governo do Paraná acaba de implantar o programa Terra Limpa, que estabelece procedimentos corretos de manipulação e destino para as embalagens de agrotóxicos. Com o Terra Limpa, embalagens plásticas, de lata ou de vidro têm como destino final a reciclagem, garantindo a preservação do meio ambiente.
O programa promove o recolhimento e a reciclagem dos recipientes, considerados uma ameaça real ao meio ambiente e à saúde, principalmente pelos níveis de resíduos químicos que ficam nas embalagens. A base do Terra Limpa é a tríplice lavagem. Depois de utilizar o produto, o recipiente é lavado três vezes. A água é depositada no pulverizador para ser reaproveitada. O fundo da embalagem é então perfurado, para evitar a reutilização como recipiente. Em seguida, o material é entregue a uma Unidade Regional de Recebimento e Triagem ou à prefeitura local, onde não houver o centro regional.



Siderúrgicas e indústrias vidreiras reciclam
com facilidade embalagens de metal e vidro



Nestas Unidades, técnicos treinados cadastram e separam as embalagens por categorias. Depois, as embalagens são prensadas, trituradas ou embaladas e finalmente levadas até a indústria recicladora licenciada. O programa começa com 14 Unidades Regionais de Recebimento e Triagem instaladas. As unidades têm 160 m2 e atendem 210 cidades. Já estão prontas as unidades de Cascavel, Colombo, Maringá, Morretes, Palotina, Ponta Grossa, Prudentópolis, Renascença, Cornélio Procópio, Cambé, Santa Terezinha do Itaipu, São Mateus do Sul, Tuneiras do Oeste e Umuarama.

As embalagens são prensadas e enfardadas nas
regiões agrícolas do Paraná

Embalagens de metal e vidro são facilmente recicláveis. Elas são utilizadas, respectivamente, por siderúrgicas e indústrias vidreiras licenciadas. Os fornos destas indústrias operam com temperatura média de 1.400°C, suficiente para degradar as moléculas dos ingredientes ativos e solventes das formulações dos agrotóxicos.
A reciclagem do plástico segue outro caminho. Como as recicladoras de plástico operam com temperaturas em torno de 200°C, insuficientes para fazer a degradação das moléculas de agrotóxicos ainda presentes no material - o produto final não pode ser utilizado como matéria-prima na área alimentícia ou de saúde -, o Terra Limpa prevê o condicionamento do plástico reciclado para a fabricação de conduítes - material usado na construção civil como condutor de fiação elétrica.
A única empresa do Brasil licenciada para reciclar recipientes de agrotóxicos é a Dinoplast, com sede em Louveira, interior de São Paulo. A recicladora compra os fardos de plástico recolhidos pelo Terra Limpa. As embalagens seguem direto das Unidades Regionais de Recebimento e Triagem. A SUDERHSA - Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental - estimou em R$ 250 o valor da tonelada de embalagens plásticas. Essa receita serve para amortizar os custos da Unidade Regional com a operação da mesma.



Para a fabricação de 50 metros de conduíte
é necessário 1,8 quilo de plástico



"A partir da entrada das embalagens na empresa, o processo de reciclagem se inicia com a picagem do plástico. Em seguida, os resíduos são secados para serem derretidos. Depois, o plástico é resfriado, novamente picado e, finalmente, transformado em matéria-prima de conduítes", explica Moacir Didone, dono da Dinoplast. Para fabricar 50 metros de conduíte, é necessário 1,8 quilo de plástico.
Na realização desse trabalho são utilizados aproximadamente 800 litros de água por hora. Toda a água residual, resultante do processo, passa por um sistema de tratamento para ser reutilizada pela empresa. "Tudo é aproveitado novamente, sem espaços para sobras", explica Didone.



Técnicos treinados cadastram e separam as
embalagens por categoria



A recicladora tem capacidade para processar 120 toneladas de plástico por mês. Antes de firmar convênio com o Terra Limpa, a empresa trabalhava com reciclagem de lixo urbano.
Para garantir a separação correta das embalagens e a orientação dos agricultores, foram treinadas mais de 300 pessoas. São técnicos e supervisores que vão operar as 14 Unidades de Recebimento e Triagem. Os técnicos aprenderam como diferenciar uma embalagem tríplice lavada de uma não tríplice lavada, como fazer corretamente o fardo de embalagens plásticas e de papelão, como triturar e acondicionar embalagens de vidro e a importância da utilização dos EPIs - Equipamentos de Proteção Individual.
O Governo do Paraná pretende, até o final do ano 2000, livrar definitivamente as propriedades rurais do estado das embalagens de agrotóxicos. Serão construídas mais 14 Unidades Regionais de Recebimento e Triagem para cumprir esta meta. Em seguida, a embalagem deve ser levada à Unidade Regional de Recebimento e Triagem. Nos municípios onde não houver unidade do Terra Limpa, o material deve ser entregue à prefeitura local, que fará o encaminhamento para a triagem e posterior reciclagem.

Embalagens prontas para serem transformadas em conduítes

As propriedades que possuírem recipientes contaminados serão cadastradas e a destruição será feita em fornos especiais para que o meio ambiente e a saúde não sejam prejudicados. Será enviado às propriedades rurais um caminhão com carroceria de madeira, prensa, um guindaste e um triturador para compactar, movimentar e triturar as embalagens na própria propriedade.



Até 2000 o governo quer livrar as propriedades
de embalagens de agrotóxico



O material será então compactado e armazenado em contêineres especiais nas Unidades de Recebimento e Triagem, até a incineração. A previsão é de que cada unidade despache todo mês um contêiner de material contaminado. Esses contêineres serão, então, transportados às empresas licenciadas que efetuarão a destruição do material.

Os agricultores paranaenses não tinham como se
desfazer das embalagens contaminadas

As embalagens contaminadas, que não passaram pela tríplice lavagem e que estão armazenadas há muito tempo, também vão ter um destino seguro, por intermédio do programa ParanáSan, que vai recolher e destruir os recipientes. A destruição será feita em fornos especiais para não prejudicar o meio ambiente e a saúde da população.

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