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Recuperação ambiental

Cubatão, que já foi a cidade mais poluída do Mundo, hoje é exemplo e referência mundial em recuperação ambiental

Fevereiro/2000

Edição 06

 

Cubatão já foi sinônimo de poluição; em dez anos os índices
das fontes poluidoras foram reduzidos em 93%

Nas décadas de 70 e 80, o pólo industrial de Cubatão, na baixada santista em São Paulo, o primeiro do País, era conhecido como a região mais poluída do mundo. Lançava no ar, diariamente, quase mil toneladas de poluentes. A terra, os rios e os manguezais, que formam o ecos- sistema da região, recebiam indiscriminadamente outras toneladas de poluição.
Em 1984, Cubatão resolveu dar a volta por cima. Através da parceria entre a administração municipal, a Companhia de Água do Estado de São Paulo - Cetesb, as indústrias e a comunidade, foi iniciado um rígido programa de despoluição ambiental.
A Cetesb iniciou um plano de recuperação do meio ambiente, submetendo as indústrias a um rígido cronograma de controle das 320 fontes poluidoras primeiras identificadas.
Os resultados apareceram rapidamente; em menos de 10 anos, os índices das fontes poluidoras foram reduzidos em 93%, e a expectativa é que o controle chegue a 100% até o ano 2008. Hoje são controladas também as fontes poluidoras secundárias, um plano de reflorestamento das encostas foi desenvolvido, junto com a despoluição dos mananciais. A Serra do Mar já tem as suas "chagas", provocadas pela erosão causada pela chuva ácida, recobertas de verde. Os peixes voltaram a viver no rio Cubatão e até o guará-vermelho, uma ave ameaçada de extinção, voltou a habitar os manguezais e a procriar.
O reconhecimento do trabalho chegou na ECO 92, pela ONU, que outorgou o Selo Verde a Cubatão, e escolheu a cidade como símbolo da ecologia e exemplo mundial de recuperação ambiental.
A preocupação com o meio ambiente está no plano diretor da cidade. Algumas exigências permitiram que Cubatão controlasse a poluição. Os ganhos em qualidade ambiental só foram possíveis graças a um planejamento e direcionamento racional para a ocupação do solo. Técnicos da Cetesb e da prefeitura concordaram que a solução passa pelo entrosamento dos setores públicos estaduais e municipais, empresas e a população. Essa nova mentalidade tem como base a qualidade total em toda a cadeia do processo produtivo, levando em conta que a preservação do meio ambiente é um bom investimento.
À medida em que as fábricas funcionem e produzam bem, podem investir também em tecnologias de controle atendendo um mercado cada vez mais exigente nas questões ambientais.



A Fundação Guará-Vermelho promove estudos
pela harmonia entre homem e ecossistema



A Prefeitura de Cubatão lançou em 98, a Fundação Guará-Vermelho, que promove estudos científicos e técnicas avançadas para a manutenção da harmonia entre o homem e o ecossistema. O grau de ameaça que a espécie enfrenta justifica a maior atenção, pois os guarás-vermelhos estão catalogados na lista das espécies ameaçadas de extinção.
Os guarás voltaram a viver em Cubatão em 1984, depois de um período em que não eram encontrados e que não se sabe para onde foram. Um funcionário do terminal marítimo da Ultrafértil, descobriu essa ave vermelha, com o bico, as patas e a ponta das asas pretas, do tamanho de uma garça. A Ultrafértil contactou o zoológico de São Paulo e a USP. Os pesquisadores foram a Cubatão para estudar a ave raríssima, só existente até então entre o Maranhão e o Amapá.



A Ultrafértil garante proteção de
1.400 Km de manguezal



Em 1994, os pesquisadores Fábio Olmos e Robson Silva, iniciaram, com o apoio da Fundação Boticário, os estudos sobre a população das aves guarás. Eles acreditam que o reaparecimento se deu devido às obras de dragagem do canal do estuário, feitas pela COSIPA na década de 70. A lama foi depositada nas margens possibilitando a formação de bancos de alimentação que, aquecida pelo sol, torna-se ideal para a proliferação de moluscos, vermes e crustáceos que servem de alimento às aves.

Indústrias e comunidade também assumiram
responsabilidades com o meio ambiente

De acordo com os pesquisadores, a maior concentração dessas aves ocorre no período que vai de outubro a março, quando acontece a reprodução. A população ainda é pequena, existem cerca de 600 aves, cinco vezes menos do que a população de garças brancas existentes na região.O guará-vermelho vai ganhar um santuário de 1.400 quilômetros quadrados em Cubatão. Protegida do ataque de caçadores, com alimentação em abundância oferecida pelo man-guezal e com o acompanhamento de biólogos e especialistas em fauna e flora do litoral, a ave terá condições de se reproduzir em segurança e sair da lista dos animais em processo de extinção. A nova estação ecologia será criada pela indústria Ultrafértil, ao custo de R$ 350 mil. A iniciativa tem o apoio da prefeitura que há vários anos vem lutando para preservar este símbolo da recuperação ambiental de Cubatão.

A Serra do Mar já tem suas antigas "chagas"
recobertas pelo verde da natureza

Recoberta por rios que nascem na encosta de 800 metros de altura do Parque Estadual da Serra do Mar, a nova estação ecológica de São Paulo engloba parte do manguezal de Cubatão, área em que o guará-vermelho escolheu para viver e se reproduzir desde 1984, quando retornou à cidade.
De acordo com os pesquisadores, o guará é uma das 196 espécies de aves encontradas no manguezal de Cubatão, quantidade maior do que as catalogadas no pantanal do Mato Grosso.
"A estação ecológica é o resultado da luta da comunidade, da prefeitura e dos empresários pela preservação do meio ambiente e, principalmente, do guará", afirmou a bióloga da prefeitura, Maria do Carmo Araújo Amaral, presidente da comissão formada pelo Prefeito Nei Serra para a criação da Fundação Guará-Vermelho. É fato relevante ver a indústria assumindo responsabilidades e compromissos com o meio ambiente.



A expectativa é que o controle dos índices
de poluição chegue a 100% até o ano 2008



O consultor de meio ambiente da Ultrafértil, Celso Caragnani, disse que a empresa vai tomar todas as medidas necessárias para proteger a área da estação ecológica e impedir qualquer tipo de invasão ou ocupação humana. "A estação será criada com base na legislação ambiental e seguirá as determinações dos órgãos competentes". Segundo Caragnani, a instalação completa da estação deve acontecer em dois anos. Mas em razão da pressão exercida pelos ambientalistas e do Prefeito Nei Serra, a empresa vai antecipar a instalação de uma barreira flutuante para impedir o acesso de barcos aos rios Morrão e das Onças. Dentro de um curto prazo, a foz do rio Morrão, que deságua no rio Quilombo, será bloqueada por uma barreira de 120 metros de extensão, formada por tambores de PVC. O investimento inicial é de R$ 40 mil.
"Esse bloqueio faz parte das medidas de vigilância e monitoramento que nos propomos a fazer. O projeto também engloba o levantamento da fauna e flora da região", disse Caragnani.

Até um ano de idade os guarás-vermelhos são cinza e branco;
só a partir de então, colorem-se de vermelho

De acordo com a bióloga da prefeitura, Maria do Carmo, o bloqueio deve impedir o acesso de pescadores e caçadores na área de nidificação das aves. Nesta época do ano, o guará-vermelho está selecionando o local dos ninhos. Ainda no primeiro trimestre do ano, eles começam a construção. Casa casal põe em media três ovos; de cada dois ninhos, apenas um filhote voa. A ave tem como predadores naturais o gavião e o jacaré de papo amarelo, que também está em risco de extinção.



Os guarás-vermelhos, pássaros ameaçados
de extinção, voltaram a viver em Cubatão



Em cativeiro, o guará vive até cinqüenta anos. Já ao ar livre tem a expectativa de vida de 20 anos, segundo os pesquisadores. Cubatão não faz parte da rota de migração do guará, pois a ave está vivendo na região durante todo o ano.
Maria do Carmo informou que a colônia permanece ativa até a primeira semana de março. Mas o bloqueio deverá ficar instalado até abril, como margem de segurança caso haja algum atraso no processo natural de reprodução da ave.
Na época do descobrimento do Brasil, as penas do guará-vermelho eram muito valiosas entre os índios. As tribos tupinambás e tupiniquins disputavam os ninhos da ave para a confecção de adereços. Esse fato foi relatado por Hans Staden, um aventureiro alemão que foi aprisionado pelos tupinambás em 1554, pouco depois de chegar ao País numa expedição espanhola.
No livro "A verdadeira história dos selvagens, nús e ferozes devoradores de homens...", Staden conta: "Perto de Santo Amaro (onde hoje é o Guarujá), onde fui feito prisioneiro, fica uma ilha menor, onde os chamados guarás, pássaros com penas vermelhas, fazem seus ninhos. Os selvagens me perguntaram se os tupiniquins já haviam estado ali, naquele ano, para capturar os pássaros durante a época em que estes chocam os ovos. As penas destes pássaros são muito valiosas entre eles, já que todos os seus enfeites são produzidos com penas. Uma particularidade do pássaro é que sua primeira penugem é cinza e branca. Quando se emplumam, são de um cinza escuro, e só depois de um ano colorem-se completamente de vermelho; portanto os selvagens dirigiam-se para a ilha na esperança de encontrar esses pássaros".
A volta, depois de quase 500 anos, do pássaro à região é a prova concreta de que Cubatão deixou de ser a cidade mais poluída do mundo para se tornar em 16 anos uma referência na preservação do meio ambiente. A cidade dá uma aula de cidadania e mostra que é possível se desenvolver de uma maneira sustentável.

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