|
Cidades do Brasil
|
|
 |
|
Plantas para o futuro
Governo incentiva utilização de vegetação nativa e faz
pesquisa sobre biodiversidade em cinco regiões do país
|
| Dezembro/2005 |
Edição 68 |
| |
 O feijão é uma variedade estrangeira muito difundida na agricultura nacional
O programa Plantas para o Futuro, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), está desenvolvendo pesquisas que ajudarão a preservar espécies nativas, mesmo que não venham a ser usadas em maior escala. Segundo Lídio Coradin, gerente de Recursos Genéticos do órgão, a biodiversidade brasileira precisa ser valorizada, conhecida e usada de forma sustentável. “Assim garantiremos sua preservação”, ressaltou.
A pesquisa está sendo realizada nos três estados do centro-oeste e no Distrito Federal sob a coordenação da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen).
Ao todo, estão sendo investidos R$ 1,4 milhão para estudos nas cinco regiões do país. O projeto foi lançado no fim de 2003. “Os resultados de todo o país e especialmente da Amazônia serão impressionantes. Existem centenas de espécies subutilizadas”, disse Coradin.
Com o trabalho, são identificadas plantas, muitas já usadas pelas populações, que poderão ter seu uso ampliado como alimento e até se tornar insumos para os mais variados ramos da indústria, como de cosméticos, fitoterápicos e corantes, por exemplo. A idéia é fazer com que as riquezas naturais do país sejam mais utilizadas. De acordo com o gerente, o Brasil teria o maior número de espécies de plantas do planeta.
Mercado global na área ultrapassa os US$ 700 bilhões anuais
Apesar de toda essa riqueza, grande parte dos recursos utilizados na economia nacional é exótica. Coradin destaca que cerca de 60% da base alimentar nacional é constituída por espécies estrangeiras de soja, milho, arroz, batata, feijão e trigo. O país guarda em seu patrimônio natural enorme potencial para inúmeras aplicações, como alimentação, medicamentos e na indústria da biotecnologia.
Estimativas sobre o mercado global para produtos derivados de recursos genéticos ultrapassam os US$ 700 bilhões anuais. As espécies mais consumidas de uva, laranja, batata, soja, trigo, milho e até dos tradicionais feijão e arroz são exemplos de variedades vindas de fora mas amplamente difundidas na agricultura nacional. “A goiaba-serrana, nativa do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e de partes do Uruguai e da Argentina, hoje é cultivada na Nova Zelândia e na França e serve para a fabricação de 13 produtos, inclusive champagne”, disse.
Entre os países mais ricos em diversidade biológica, em variedades de animais e de plantas, o Brasil ocupa o primeiro lugar, possuindo entre 15% e 20% do total de espécies. O país, por exemplo, conta com mais de 55 mil tipos de vegetais e mais de 150 mil espécies animais conhecidas em ecossistemas como Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. A biodiversidade é a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais.
O MMA objetiva, com a pesquisa, potencializar o uso do patrimônio natural brasileiro. “A idéia é identificar espécies vegetais com perspectiva de uso comercial, tanto em larga escala como para mercados especiais”, afirma Coradin.
Na continuidade, explica Coradin, serão priorizadas aquelas variedades com potencial mais imediato para uso direto ou lançamento comercial e identificadas aquelas que necessitarão de maiores estudos.
|
 |
|
|