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Cidades do Brasil
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Avanços vão continuar
Deputado federal e
presidente nacional do PT,
Ricardo Berzoini (SP)
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| Dezembro/2005 |
Edição 68 |
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 Ricardo Berzoini
O governo Lula entra em seu quarto ano com uma gama de realizações importantes tanto na área econômica quanto no social. Embora ignorada pela oposição e timidamente divulgada pelos meios de comunicação, a PNAD 2004 (Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílios), concluída em novembro pelo IBGE, comprova que o atual governo reduziu fortemente os índices de miséria, elevou a taxa de emprego aos melhores índices da década - especialmente os com carteira assinada - e possibilitou uma diminuição na concentração de renda dos brasileiros.
Os resultados indicam que, nos dois primeiros anos do governo Lula, avançamos mais em matéria de redução da pobreza do que os dois mandatos de FHC. A redução das desigualdades aparece não apenas nos 8 milhões de famílias - ou 32 milhões de brasileiros - beneficiários do Bolsa-Família, considerado o maior programa de transferência de renda do mundo, mas também no reforço dos recursos para a agricultura familiar, que cresceram quatro vezes via Pronaf. Ou ainda na democratização do crédito, na universalização da luz elétrica, por meio do programa Luz para Todos, e na expansão de milhares de vagas em universidades, com a criação de novas instituições e com o ProUni.
Para alcançar esses objetivos, o governo desenvolveu uma política que deu início a um crescimento econômico sustentado e permanente e acertou nas políticas dirigidas à diversificação produtiva e ao incremento do crédito e da competitividade.
É preciso lembrar que recebemos, em 2003, um país marcado por 20 anos de baixo crescimento, e que estava à beira de um ataque especulativo. O nosso governo herdou uma grave crise, produto de desequilíbrios estruturais e de tensões conjunturais que deixaram o Estado endividado e fragilizado em sua capacidade de formular e operacionalizar políticas públicas.
O governo Lula, ao assumir, evitou o colapso, levou os indicadores de endividamento a patamares menores e trajetórias descendentes, recuperou a função do Estado de formulador de políticas públicas, iniciou a implantação de políticas sociais estruturantes, colocou os bancos públicos e outras empresas estatais a serviço do desenvolvimento da infra-estrutura e da ampliação das exportações. A política externa e de comércio exterior permitiu duplicar nossas vendas externas, diversificando mercados e agregando valor a nossas exportações. Dessa forma, reduzimos a vulnerabilidade externa e foi possível não renovar o acordo com o FMI.
Os resultados de uma gestão responsável, agora reforçados pela pesquisa do IBGE, comprovam que é possível fazer a economia crescer e, ao mesmo tempo, distribuir renda e manter a inflação sob controle. Mas sabemos que é preciso avançar mais. Temos, para o ano que vem, condições ideais para que as taxas de juros sejam reduzidas em até cinco pontos até o final do primeiro semestre. Não há pressão inflacionária à vista que possa significar uma política monetária mais rígida.
Com a redução significativa e sustentada dos juros, a aceleração da execução orçamentária e a maturação de uma série de programas lançados pelo governo Lula - como a ampliação do Bolsa-Família para 11 milhões de famílias, a aplicação do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento e Manutenção da Educação Básica), e ainda a conclusão da operacionalização do programa de biodiesel, a auto-suficiência em petróleo e o aumento da frota de veículos com motor flexível - o país caminha para uma condição ainda mais virtuosa na redução das desigualdades sociais. É neste contexto de crescimento e inclusão social que partiremos para a campanha eleitoral 2006. Mas este é, também, um momento em que se acirra uma violenta campanha contra o PT e o governo, articulada pela oposição e por setores dos meios de comunicação.
A crise por que passou o partido neste ano de 2005 tem origem em falhas internas que reconhecemos. Estamos empenhados em corrigir nossos rumos, em fazer uma ampla reflexão sobre programa e estratégias partidárias, em avaliar de maneira crítica a condução de nossos governos e do próprio partido e em criar novas formas de procedimentos internos.
Mas os ataques sistemáticos que temos sofrido não visam corrigir nossos erros, e sim destruir um patrimônio acumulado nos últimos 25 anos pelo partido - e pela esquerda brasileira - na luta por democracia e justiça social.
Não podemos permitir que estes ataques políticos oportunistas tenham sucesso na tentativa de encobrir todos os avanços que alcançamos nos últimos três anos. Não podemos aceitar o retorno, ao governo federal, de forças conservadoras comprometidas com o ideário neoliberal. Isto representará um brutal retrocesso no caminho que trilhamos na direção de um país menos desigual.
Por isso, o PT, em resolução aprovada pelo Diretório Nacional no dia 10 de dezembro, faz um chamamento para a construção de um novo pacto de coesão interna para fortalecer os laços do partido e do governo e a construir uma firme política de alianças com movimentos sociais, partidos populares e intelectuais progressistas. Nossa principal tarefa, neste período que se inicia, é trabalhar para que o primeiro governo de esquerda da história do Brasil conquiste mais quatro anos para aprofundar as mudanças sociais inauguradas em 2003.
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