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Artes da liberdade
Projeto resgata tradições de remanescentes de quilombos
no Pará e desenvolve atividades de geração de renda
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| Dezembro/2005 |
Edição 68 |
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 No ensaio de capoeira angola os participantes resgatam antigas tradições quilombolas
No interior do Pará, comunidades rurais negras, remanescentes de quilombos, têm um cotidiano difícil. Os moradores tiram a água de poços, rios e igarapés e executam trabalho pesado, realizando atividades predatórias, como a produção de carvão vegetal e a extração de pedras e madeiras. A maioria das fossas está a céu aberto e o lixo sem destino adequado é um problema sério para a saúde e para o meio ambiente. As moradias são precárias e é preciso enfrentar longas distâncias para obter acesso à educação básica.
Desde 1991 a Fundação Curro Velho (FCV), sediada em Belém, capital do estado, atende a crianças, adolescentes e jovens em atividades de oficinas em artes e ofícios, proporcionando a criatividade e estimulando a sensibilidade para o aprendizado das mais variadas técnicas de linguagem plástica, cênica, verbal e audiovisual.
Em 2001 esse trabalho foi estendido junto às comunidades quilombolas, o que vem possibilitando aos moradores dessas comunidades a recuperação da auto-estima, a criatividade e um horizonte de atividades que proporcionam a geração de renda. Até 2004 foram atendidos 24 municípios, com a participação de 41 comunidades quilombolas em 53 oficinas de artes e ofícios.
Para este ano foram planejadas 46 oficinas nas técnicas de desenho, serigrafia, trançados, percussão, textura, confecção de instrumentos musicais, dança, dança nativa, embalagem, capoeira angola, trançado em fibras, cestaria, cerâmica, bonecas de pano, confecção de bolsas, brinquedos em madeira e beneficiamento de fibras, entre outras, que possibilitam a geração de renda.
Em novembro foram realizados em Cametá os III Jogos Quilombolas
Todas as técnicas realizadas são apontadas pelos moradores das comunidades quilombolas como necessidade de aprendizagem. Isso é observado pelos técnicos que visitam a instituição durante o planejamento das oficinas. Em 2005 o atendimento foi estendido para 19 comunidades quilombolas dos municípios de Abaetetuba, Acará, Ananindeua, Baião, Cametá, Capitão Poço, Colares, Mocajuba, Cachoeira do Piriá, Oriximiná, Oeiras do Pará, Santa Izabel do Pará, Santa Luzia do Pará e Moju, totalizando 14 municípios.
No semestre passado foi realizada a I Conferência Estadual de Igualdade Racial, ocorrida em Belém, quando a instituição participou diretamente na organização do evento. Em maio foi iniciada uma pesquisa na comunidade Camiranga, com o objetivo de registrar o processo artesanal do cotidiano e de sobrevivência.
No período de 20 a 26 de novembro foram realizados os III Jogos Quilombolas do Pará, no município de Cametá, quando foi comemorado o Dia da Consciência Negra no Brasil e efetuada a entrega de título coletivo de terra à comunidade do município.
A organização dos jogos tem a participação de representantes das comunidades, que decidem também sobre a escolha do local. A programação objetiva valorizar as manifestações culturais das comunidades quilombolas e celebra, através do esporte, do lazer e da cultura, a integração das diversas comunidades remanescentes de quilombos espalhados pelo Pará.
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