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Grafiteiros do bem

Projeto em Salvador transforma antigos pichadores em artistas plásticos que estão mudando a paisagem da cidade

Novembro/2005

Edição 67

 

Ao invés de rabiscos, os muros da cidade ganham
criações artísticas de valor decorativo


A Prefeitura de Salvador, em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBa), estão realizando um projeto inovador para que antigos pichadores possam aprimorar suas artes através de oficinas e cursos de extensão na Escola de Belas Artes. Trata-se de uma proposta inclusiva, que valoriza a produção de jovens e abre espaços para os ex-poluidores visuais.

Um dos principais objetivos com o lançamento do projeto Grafita Salvador, é estimular jovens grafiteiros e pichadores a se desenvolverem artisticamente, aprimorando suas formas de expressão, além de contribuir para o embelezamento da cidade. ”Vamos valorizar a arte e os artistas de rua, oferecendo, especialmente aos jovens, uma oportunidade de apresentar seu trabalho sem causar danos ao patrimônio público e privado”, disse o prefeito da capital, João Henrique Carneiro.

A arte do grafite já está incorporada em toda a capital baiana, através do Projeto Grafita Salvador. Tudo começou na Península Itapagipana, seguiu para a Barra, Orla, chegou na Avenida Contorno, Comércio e Calçada e vai de trem para o subúrbio, até Coutos, levando suas cores para as estações de trem da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos).



Objetivo do projeto é o de valorizar
a arte e os artistas de rua



Nos muros da Companhia das Docas da Bahia (Codeba), o programa realizado em parceria entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedes), através da Coordenadoria de Juventude (Codju) e a Limpurb (Empresa de Limpeza Urbana de Salvador), vai fazer intervenções que vão além da arte do grafite. ”Vamos também limpar as paredes que emolduram os painéis artísticos instalados na Codeba”, disse Jéssica Sinai, coordenadora da Juventude da Sedes. A idéia da prefeitura, segundo Jéssica, é promover, através das diversas manifestações das artes plásticas, a humanização da cidade.

Considerado uma arte revolucionária por natureza, o grafite foi definido pelo escritor Norman Mailler como “uma rebelião tribal contra a opressora civilização industrial”.



"Norman Mailler disse que “o grafite
é uma rebelião tribal”



Seja pelo seu caráter de contestação ou por seu impulso transformador, o grafite possui a qualidade de comunicar por seus riscos rápidos e tão urgentes como o ritmo de uma cidade cosmopolita. João Henrique entende que, como arte elaborada, o grafitismo expressa em seus traços e desenhos mais requintados toda uma cultura de rua, ligado a movimentos como o hip hop, ricos em conteúdos que falam do cotidiano da própria cidade.

Os grafiteiros aplaudiram a iniciativa da prefeitura. Para Lee 27, como é conhecido um desses grafiteiros, esse é um grande incentivo à arte e acima de tudo, uma busca pelo aperfeiçoamento. “Vamos aproveitar ao máximo essa oportunidade na Escola de Belas Artes e tenho certeza, que essa será uma troca de experiências muito importante, tanto para a Escola da UFBa, como para nós grafiteiros”, afirmou.



Em seis meses já foram grafitados
3.500 metros de muros



Já o popular pichador Pinel declarou que cansou de correr da polícia e das prisões. “Vou aproveitar e agarrar esta oportunidade que a prefeitura e a unidade estão me oferecendo. Tenho certeza de que outros colegas da arte noturna vão me acompanhar”.

O projeto valoriza a arte do grafite, que tem a mesma origem da pichação, mas objetivo diferente, disse o prefeito. “Se o grafite embeleza, a pichação polui. Se o grafite apresenta sua contestação em forma de arte, a pichação expõe sua fragilidade na inexpressividade de seus traços”. Para o prefeito, o seu maior desejo é que os grafiteiros possam se manifestar com liberdade e que os pichadores continuem evoluindo para o grafite.

O projeto transformou pichadores - muitos com passagens pela polícia - em servidores. Aprovados em concurso, 37 jovens que todas as noites deixavam as suas mensagens de protesto em muros públicos e particulares da capital baiana agora têm uma nova profissão - são grafiteiros profissionais.



Mais 40 profissionais serão
contratados até o final do verão



”Passei sete anos de minha vida pichando paredes e não ganhei nada com isso. Agora, tenho poucos meses trabalhando com o grafite e já me sinto reconhecido socialmente”, disse Jackson Jesuíno Barbosa, 25, que faz parte do grupo de grafiteiros contratados pela Sedes e Limpurb.

Desde o começo do projeto, há seis meses, cerca de 3.500 metros lineares de muros já foram grafitados, mudando a paisagem não apenas no centro de Salvador, área tradicionalmente visitada por turistas - pois oitenta por cento dos grafiteiros moram na periferia da cidade e também executam trabalhos em seus prórios bairros.



Grafiteiros ganharam nova fonte
de renda com trabalhos extras



As mensagens deixadas pelos grafiteiros dependem do local de trabalho. “Onde há áreas verdes ou o mar, por exemplo, os trabalhos são ambientalistas. Onde há terreiros de candomblé ou quadras, trabalhamos com orixás e com o esporte”, disse Josenildo Silva Mendes, 26.

O coordenador do projeto Grafita Salvador, Edvando Luiz Carlos Pinto, disse que pelo menos mais 40 profissionais serão contratados até o final do verão. ”Estamos muito satisfeitos com o resultado do projeto. Além do colorido que a cidade está ganhando com esses painéis, houve uma sensível redução na incidência de pichação na cidade.”
De acordo com o coordenador, muitas empresas e outros setores da iniciativa privada têm procurado a prefeitura para solicitar a confecção de painéis. “Já firmamos convênios para o fornecimento gratuito de material para os grafiteiros, o que demonstra que o nosso trabalho está sendo reconhecido.”

Ex-pichador, Jadson Barbosa, 23, concorda com a opinião de Edvando Pinto. “Passamos da posição de destruidores para a de construtores.”

Além do salário (R$ 400/mês) por cinco horas diárias de trabalho, vale-transporte e tíquete-alimentação, os grafiteiros ganharam uma nova fonte de renda - a realização de obras para particulares. Fora do horário de trabalho, os grafiteiros cobram, em média, R$ 50 por metro quadrado.



www.pms.ba.gov.br




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