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Cidades do Brasil
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Manejo de jacaré
Ação é a mais nova aposta para tentar estabelecer a
sustentabilidade da espécie que já esteve à beira da extinção
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| Dezembro/2005 |
Edição 68 |
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 Ibama autorizou a criação, visando uso comercial, do cayman yacare em regiões do Estado do Mato Grosso do Sul
O manejo do jacaré-do-pantanal (cayman yacare) em sistema aberto de produção e recria (headstarting) é a mais nova aposta do Ibama para tentar estabelecer o uso comercial e sustentável da espécie que já esteve à beira da extinção devido à caça indiscriminada. O instituto autorizou o Centro Nacional de Répteis e Anfíbios (RAN) a implantar o sistema em áreas de maior demanda por sistemas alternativos de produção no Pantanal.
A idéia é estimular pequenos e médios produtores a assumirem a atividade. “A carne do jacaré é cada vez mais apreciada pelo seu sabor silvestre e baixo índice de gordura. O couro tem compradores certos no mercado nacional e internacional que produz e consome os sofisticados artigos feitos com a pele do animal”, disse Rômulo Mello, diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama.
Manejo comercial da espécie é nova aposta de investimento
O sistema de produção e recria funciona assim: os ninhos na natureza são protegidos pelos fazendeiros, que garantem a incubação e a eclosão dos ovos. Ao nascerem, os filhotes são mantidos em ambiente muito parecido com aquele onde eles vivem naturalmente no Pantanal. A alimentação é reforçada com técnicas que atraem para o local as presas naturais do jacaré-do-pantanal, tais como insetos e outros invertebrados. Um ano depois, já na fase juvenil, e medindo cerca de meio metro, os animais são marcados e devolvidos ao seu habitat natural, onde passam a viver em liberdade.
Depois de adotar todas essas medidas, os fazendeiros têm o direito de capturar jacarés que já habitam a fazenda, respeitando a cota de sessenta por cento do número de animais recriados e soltos na área do manejo. O abate será feito somente em entrepostos credenciados pela inspeção sanitária.
Fazendeiros poderão capturar jacarés que já habitam a fazenda
“Esse sistema garante a sustentabilidade da espécie na natureza, já que o fazendeiro garante a sobrevivência de animais que poderiam ter sido predados ainda na fase de ovo ou no primeiro ano de vida”, explica Marcos Coutinho, do RAN. Segundo ele, cerca de vinte e cinco por cento dos ovos postos pelas fêmeas no ambiente natural são perdidos e somente vinte por cento dos jovens recém-nascidos sobrevivem aos predadores naturais e às intempéries climáticas. De acordo com o pesquisador, essa tecnologia de criação do jacaré já é utilizada em outros países que exploram comercialmente os crocodilinos.
O manejo do jacaré-do-pantanal ficou limitado até meados do ano 2000, porque os Estados Unidos mantinham a espécie na lista das ameaçadas daquele país, fato que impediu as exportações brasileiras. Com a retirada da espécie da lista vermelha americana, o comércio internacional de subprodutos do jacaré volta a ser atrativo para os produtores nacionais. Atualmente, a produção pantaneira mal consegue abastecer o mercado da região. Do ponto de vista internacional, a hora de investir no manejo sustentável do jacaré-do-pantanal é agora.
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